Música para os ouvidos, paz para a mente
15 Maio, 2007
Hoje eu conclui que a melhor invenção dos últimos tempos foi o headphone. Nos momentos de perturbação, quando você quiser se transportar para uma outra realidade paralela, só sua, ele é o seu veículo. Em poucos acordes você se exclui do mundo real (especialmente de companhias indesejáveis!) sem precisar sair dali. Talvez um dia eu consiga aplicar a teoria do poste ou meditar profundamente com apenas uma variação no compasso respiratório – ainda sim isso me remete à música… Já diziam os antigos: quem canta seus males espanta. E eu PRECISO espantar os males de mim já que não dá pra parar o mundo. Já que não dá de outro jeito pra desplugar desse cenário feio e histérico, projeto o meu ao som de jazz.
O velho e bom jazz me transporta pra onde eu quero ir. E não falo só de clássicos, como Billie, Gillespie ou Baker . Tenho descoberto coisas novas, arranjos diferentes, vozes não menos abençoadas. Sabiam que o drum´n bass é uma variação do jazz? Um dia eu estava conversando com uma amiga e disse a ela que é mais difícil reciclar o que existe do que criar algo completamente novo. Tudo muda, o homem muda, os tempos mudam, a cultura muda e as manifestações musicais, logicamente, acompanham isso - como não, se música é expressão?! A variação musical é limitada. É grande, mas limitada. Combinação do numero de acordes possiveis (formados pelas 7 notas musicais e suas variações) com ritmos percussivos, também limitados. Uma grande reciclagem. Aplausos aos músicos por favor.
Preciso comprar o cd da Corinne. Voz suave, melodia simples e uma viagem tranquila.
O Primeiro – Um Desabafo
14 Maio, 2007
Após várias tentativas sem sucesso, resolvi criar coragem e voltar a blogar. Nada como uma boa revolta como motivação. Geralmente começa assim, com posts malcriados ou sensação de inconformidade, para depois acostumar e volta e meia deixar sair alguma amenidade ou qualquer bullshit – a busca pela otimização do tempo, a disciplina e persistência podem render alguns minutos de ócio produtivo.
De inconformidades a minha mente está cheia, mas vou cair na redundância dos fatos que lemos todos os dias nos jornais nesse primeiro momento. Não, não questionarei as redundâncias. Questiono, sim, o quão úteis e práticas elas têm sido, inclusive para mim, mais uma ovelha nesse rebanho imenso. Vamos falar da violência.
A violência, essa mesma, que começa ali, numa fila de banco qualquer ou na disputa por uma vaga no vagão feminino do metrô (!?), essa que a gente vê na pracinha, de meninos cheirando cola e disputando de quem eles vão tirar o próximo celular enquanto saboreamos nosso chopp desopilante de sexta-feira… Diante dessas cenas, com as quais apendemos a conviver há algum tempo e, hoje, ignorar, vamos vivendo, e nos damos ao luxo de transformá-las numa barbárie plástica, um quadro pendurado na parede escondida do corredor, visto somente por quem passa por lá, quando passa por lá.
Não me eximo de forma alguma da responsabilidade. Ratifico minha posição de ovelha cega do rebanho ou de macaquinho que não vê, não ouve e não fala. Enquanto não consigo vislumbrar uma saída, me refastelo nessa areia movediça e reclamo aqui, nesse espaço que é meu e está aberto.
Por que? Por que essas feridas são hoje tão superficiais, aparentemente curáveis com o mercúrio-cromo da ignorância? Eu já li que a ignorância é um bálsamo mas acho que está mais para xilocaína do que remédio- o corte existe, a dor passa, a cicatriz permanece. A dor do saber seria, então, menos dolorosa? Não, não vou entrar agora nessa discussão. Perdoem-me, meu pensamento é cheio de voltas….
Hoje aconteceu de novo, como acontece todos os dias, só que dessa vez tem nome e cara, a vítima. Uma amiga de uma amiga (ah! o networking!) teve a vida trocada por um carro. Um carro! Quanto vale uma vida? Vale um carro? Vale um celular? Vale uma nota de R$50? De R$100? Vale uma MP, uma lei qualquer? Vale um ponto percentual numa pesquisa ou no cálculo do censo? Vale uma idéia?
Uma vida vale uma vida. E toda vida tem valor. Seja a da menina de 23 anos que morreu com um tiro na barriga, na esquina de casa, seja do menino que cheira cola ali na esquina e não tem sequer noção de nada do que estou escrevendo por aqui.
O que eu posso fazer pra mudar isso? Talvez a resposta não seja tão óbvia e talvez devamos concentrar os esforços no melhor do “pense global, aja local“, como plano de médio-longo prazo… Eu não sei a resposta.
Alguém sabe?